“Vivo para defender a vida das pessoas”

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Maria Nair Lopes nasceu em Minas Gerias, mas hoje é conhecida em São Paulo por formar parte de uma comunidade, a maioria mulheres, que levantaram com seus próprios esforços nada menos do que um hospital e uma escola. Ela também é fundadora de uma associação chamada “Casa Mãe” que visa fazer um trabalho muito particular: ajudar em uma das situações mais frágeis nas quais uma mulher pode se encontrar, uma gestação em crise.

Pensamos então que uma mulher que dedica sua vida para cuidar e defender outras, deve ter coisas interessantes para contar e decidimos entrevistá-la.

Qual o objetivo da Associação?

A Casa Mãe nasceu em 2009 no Brasil. Ela é uma instituição não governamental, sem fins lucrativos que tem o objetivo de informar, orientar e dar apoio a toda gestante em crise que estiver precisando ajuda. O acolhimento é total, nós não estamos para julgar ninguém, ela pode conversar tranquilamente pois oferecemos um espaço de confiança e sigilo. Aqui nosso principal interesse é ela, sua situação e a do seu filho. Queremos evitar que ela passe de novo por essa situação crítica e por isso oferecemos orientação e saúde integral se precisar, em parceria com o Hospital São Francisco.

Como e porque nasceu?

Esse espaço de saúde integral para gestantes era o sonho de muitas pessoas preocupadas com a situação das mulheres que passam por uma gestação em crise, pois em geral não há espaços de orientação verdadeira para elas. Esse trabalho já existe em muitos países mas se concretizou no Brasil através da doação de uma senhora brasileira que mora no exterior. Ela disse que gostaria de que esse trabalho, nacesse no Brasil uma vez que ela mesma tinha passado por um aborto e tinha sofrido muito nesse país. Então ela gostaria de evitar que as gestantes caissem no engano do aborto que ela caiu. O aborto não solucionou nada na sua vida, mesmo sendo depois de um estupro, só trouxe muito mal para ela. Ela tinha 17 anos quando fez o aborto, mas todas as consequências, sofrimentos, pesadelos e tentativas de suicídio por causa do aborto, aconteceram 25 anos depois. Ela é um testemunho claro de que a síndrome de pós aborto existe e pode chegar anos mais tarde. “Ninguém sentou comigo para avaliar alternativas viáveis para eu ter essa criança, eu achei que não teria outra opção melhor”.
Por isso nosso objetivo é trabalhar com as gestantes em crise para que realmente possam superar a situação atual e possam encontrar o problema que as levou a ter uma gravidez indesejada. A causa do problema precisa ser trabalhada para que isso não volte a acontecer.

O que vocês defendem?

Defendemos a vida das crianças que tem risco de serem abortadas e defendemos a vida das mulheres que estão em situação de crise. Muitas vezes temos que defender mulheres ameaçadas de morte, ou que sofrem violência em casa, ou que estavam sendo forçadas pelos pais ou parceiro para fazer um aborto. Outras são forçadas pela ignorância, não sabem o que tem dentro do ventre. Outras tem uma conduta autodestrutiva se entregando a homens que nao a valorizam. Tudo isso que atenta contra a dignidade da mulher deve parar. Cada caso é um caso e para isso, fazemos encaminhamentos a profissionais e acompanhamento o tempo que for necessário, porque a vida de toda mulher que chegar até nós vale a pena.

Do que elas mais gostam ou agradecem?

Nossa experiência em geral tem sido muito boa, muitas gestantes nos procuram e recomendam. Basicamente, agradecem mais o acolhimento e o espaço de escuta. Elas aqui se são livres de expressar o que sentem, pensam e querem fazer. Elas tem liberdade para entrarem em contato todas as vezes que precisarem, e sempre serão bem-vindas. Elas agradecem os esclarecimentos, saber os riscos, as opções, saber desde quando a vida é importante, as orientações nos casos difíceis, etc. Pois não acham essas informações facilmente em outro lugar. Quem pensavam em abortar e desiste, fica muito agradecida pela confiança, pela escuta, acolhimento sem julgamento, etc. Elas percebem que são realmente amadas por nós, sem preconceitos. Sem importar sua história, mesmo que elas pensem diferente de nós, acabam agradecendo nosso atendimento e apoio. Quem não pensava em abortar também agradece o apoio e o espaço desinteressado que oferecemos para ajuda-la a encontrar ferramentas para superar sua situação.

Do que uma gestante em crise realmente necessita?

Precisa de ser muito amada, nunca julgada. Precisa ser valorizada, não questionada. Ela precisa ter alguém em quem possa confiar e possa ser respeitada. A chave do nosso trabalho é o acolhimento incondicional. Mas precisa ser informada e orientada para achar a melhor alternativa para ela e seu filho e para que nunca mais tenha que passar por uma gravidez em crise. Em geral as gestantes precisam recuperar autoestima, melhorar sua qualidade de vida, criar vínculos afetivos mais saudáveis e valorizar sua vida e a do seu filho.

Muitas e muitas mulheres chegam até nós porque outras pessoas recomendaram abortar. Pela situação econômica difícil, por que a criança tem problemas, etc. Mas aqui elas percebem que aborto não soluciona nada, só aumenta os problemas. Aqui orientamos a enfrentar as situações, mudar o que deve ser mudado, saber que ela pode, mesmo precisando de profissionais, e que sempre o Amor é a melhor opção para que sofrimento seja menor e a realização como mulher, seja maior. A vida dela vale a pena, e a do seu filho, também.

Conheça uma história linda da Nair: “Os médicos pediram para sua mãe abortar”

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Nair e Marlene

“Meu nome é Marlene Maria de Assis Alves. A pesar das recomendações que minha mãe recebeu para me abortar eu nasci no dia 14 de agosto de 1989.

Minha mãe teve câncer de mama e Nair sempre a orientou a favor da vida.

Minha mãe contava que no meio da doença, injeções, quimioterapia e raio, veio a notícia da gestação. Ela já tinha recebido várias radiações, porque a primeira foi com 3 meses de gestação e os médicos disseram que a solução seria o aborto porque eu não iria a aguentar então já que eu não ia aguentar… porque não tirar? O médico falou assim para minha mãe. Ele disse que a gravidez não iria para frente, tanto pelo tratamento feito quanto pelo tratamento que ainda faltava por fazer. A minha mãe e a Nair lutaram para manter minha vida. Teve uma reunião para isso, a Nair o tempo todo esteve do lado da minha mãe, junto do meu pai dando forças para que sim, para que eu ficasse na barriga da minha mãe e ela continuasse o tratamento. Depois de decidir que eu ia ficar, os médicos começaram a falar que eu poderia nascer com sequelas, com demência e coisas geradas pela radiações que eu já tinha tomado. Minha mãe falou, que me aceitaria mesmo assim: “Se Deus colocou esse bebê dentro de mim, é por algum propósito, e eu não tenho autoridade nenhuma de tirar esse presente que Ele me deu” -ela disse. Então ela assinou que o medico não se responsabilizava por se desse alguma coisa errada. Ela continuou o tratamento para salvar a vida dela e depois do meu nascimento o médico deu pouco tempo de vida para ela… mas olha só, eu nasci e alegrei sua vida por mais 10 anos!

Eu sou totalmente normal, não tive sequela nenhuma. Dou glória a Deus pela minha mãe ter me dado a vida. Essa vida que minha mãe me deu… nossa eu vivo assim… com muito amor. Quem me conhece sabe , difícil me ver triste, porque eu falo assim: ”Se eu ganhei essa vida não vai ser para eu levar tristeza em lugar nenhum, a falta que minha mãe me fez foi grande, mas hoje ela está bem melhor no lugar que ela está (no céu).

Hoje sou uma pessoa totalmente realizada. Eu quero sempre ajudar ao próximo. O sofrimento as vezes é preciso para um crescimento pessoal, espiritual, o sofrimento infelizmente ele vem mas Deus vem junto. As batalhas vem mas Deus vem junto. Hoje me sinto muito feliz com a vida e a família que eu tenho, com a história que eu posso contar, que vou poder contar para meus filhos. Eu conto minha história quando vejo alguém desanimado pensando em desistir. Queria muito que eles pensassem assim: “e se minha mãe naquela situação desistisse de mim? Naquele momento, naquela reunião… hoje eu não estaria viva”.artigo-003-familia

Não teria meus filhos: Ana Beatriz e Luiz Gabriel, não seria casada há 10 anos com Marcos, não teria realizado meus sonhos sem minha vida! Eu vou fazer pedagogia, quero ser professora, casar na igreja… se minha mãe tivesse desistido naquele momento, eu não teria realizado todos esses sonhos hoje.

Ela se chamava Maria Vicentina Alves e tinha 46 anos quando eu nasci. Ela não desistiu de mim e por isso ela me deu tudo. Não desista de ninguém. Porque dar a vida é a melhor coisa que você pode dar para um filho!

 

One thought on ““Vivo para defender a vida das pessoas”

  1. Gostaria de fazer uma doação mensal pro Juntos pela vida e pra Associação N.Srs.de Guadalupe. Como posso fazer?

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